
Antes mesmo de expelir outra gotícula pecaminosa, refleti, e então dirigi-me à Igreja Matriz de São Domingos, sob o escopo de acionar um sacerdote, a fim de me confessar.
Naquela cabina, no aconchego da cadeira minuciosamente talhada e aveludada em imponente vinho, ele perguntou:
– Quais são os teus pecados, filho?
Abaixei a bunda e a cabeça. Principiei, mansa e polidamente:
– Padre... a princípio ando bebendo tudo o que se faz passível de ingestão. Por conseguinte, fico sobremaneira agressivo, e assanhado. Proferi, sem rodeios nem volteios, blasfêmias das mais peludas. Quebrei ontem, todas as estatuetas sacras na casa de minha mãe. Arremessei o computador de meu pai rumo à Nossa Senhora de Fátima. Depois, de súbito, cuspi opulentamente nos três pastorinhos de minha filha caçula. Joguei a impressora em direção a uma estante, donde minha sobrinha apôs sua coleção de anjinhos e outras celestialidades. Escarrei na face que Karol Wojtyla me oferecera. Chutei, qual um artilheiro, o cãozinho dócil de minha avó, de modo que ele grudou no teto do quarto, jazido. A euforia foi tamanha, que se confundia com a inoportuna, bizarra e impreterível vontade de invocar os serviços de Onan. Masturbei ali mesmo, exibindo minha pica a todos os presentes. O cãozinho desgrudou do teto, caindo sobre um porta-retratos. Assustei, e pisoteei a cabeça dele, estralando-a. Ora: aquele ocorrido interrompeu meu rito sagrado. Retornei a mão no falo semi-ereto, férvido. Vorazmente gozei por sobre a pelagem e estrutura tão crocante quanto disforme do fiel canino. Ex. Guardei minha rola. Escarrei. Esperma e catarro se enleavam com tanta intimidade, a ponto de se tornarem uma só textura uniforme. Retirei-me do recinto. Arrebentei uma porta de vidro – o frontispício do condomínio. Foram 14 pontos na canela. Acresço que só descobri o corte porque alguns conhecidos, no ensejo em que apetecia-me outra vodca, perceberam o sangue a esguichar. O fulano sentado a meu lado vomitou em meu pé – o danificado –, pois fedia um bocado, além da lambança inconteste. Ademais, padre, peguei o dinheiro do aluguel e contratei três travestis pra me espancar e foder em duplo anal. Arrependi: gastei todo os cifrões destinados ao aluguel, e não gozei. Endividei toda a família, ó Deus! Cometi incesto. Surrupiei. Assaltei. Trafiquei. Subornei. Torturei. Suicidei. Molestei querubins. Iniciei meu anjo da guarda no sadomasô. Fiz minha empregada gozar com uma imagem. Agora estou aqui. Imploro-te pra não exorcizar todos estes demônios aqui presentes antes que eu transe com eles. Por favor!
E o padre, antes de me pedir o ato de contrição:
– Rapaz: Quer se casar comigo?