Aconselhou-me um sujeito
Partícipe da paulicéia constelada
Que pra inovar devo
"Pisar mais no acelerador".
Eu não respondi naquele
Mas respondo no hoje de dia:
Prefiro caminhar
Com minhas matutas patas:
Assim corro menos risco
De me acidentar:
Aprendi com um vulto
Cujo ego omitiu-lhe socorro.
Conheci certos astros
Emitentes de um brilho
Que asfixia os olhos
Até enferrujar o tétano.
E tu, imprevisível???
Ora! Imprevisto é o estômago
Do pós-buraco-negro,
E não uma fagulha estelar
Se afogando na orla solar.
Prefiro errabiscar
A ser sombreado
Por poste urinado
Pelo canino de raça
Virando códigos de barra
(Não vira latas)
Pra ser aceito na matilha
Embora seja poodle
Tosado
Pela cronologia.
Dispenso coleira
Não exibo placa nem nome cromado
Não ladro não mordo não ostento cauda
Também nem permito tocá-la
Tampouco minhas incompetentes pulgas
Sonham com chibatadas num circo
Ou assunção qualquer.
Em verdade confesso
Que elas aduzem agudo
Desvio de identidade:
Internaram-se em minha pelagem
Porque juram ser carrapatos
(Donde se atesta que não só humanóides
Fazem jus a Freud).
No mais
Escaldem-se a lua – estrelas – milagres:
E tem razão o instinto
Não a poesia.