Lá fora, o menor impúbere gangorra
No parquinho central pichado.
Aqui, dentro do apartamento, Gomorra.
Epilético, como é cediço (e como!)
O espetáculo principia:
Derradeira convulsão? Não.
Caso fosse eu omisso
Jamais empurraria minha pica
(Fraude contra credores, haja vista
que sugere ereção eunuca)
Na goela abaixo dele
A fim de desatar a língua
Homocida.
Ejaculei na garganta dele.
Aquele beiço macilento
Espumava e transbordava desespero.
C’a convulsão, ele cerrou os dentes podres
De tal forma, que guirlandou a glande.
Esporrei – descomedidamente.
Ele morreu agônico;
Eu de gáudio.
Em sua boca singravam
Saliva sangue porra.
E o menininho lá,
Sorrindo limpo,
Na gangorra
Empurrada pela heteroparentalidade.